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CÂMERAS POLICIAIS EM DEBATE

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  A implementação das câmeras corporais (BWCs) nos PMs foi recebida como a panaceia para os dilemas da transparência e da legitimidade no uso da força, mas a realidade não é bem esta. Com efeito, o entusiasmo tecnológico atropela uma realidade científica incontornável: o vídeo não é espelho fiel da experiência humana. Eis porque apresento evidências segundo as quais a dependência exclusiva dessas imagens, sem a devida contextualização neurobiológica, pode corromper a justiça que se pretende promover. Em estudos recentes, comparamos as gravações de BWCs com o rastreamento ocular de policiais em cenários de alta fidelidade. Os resultados são definitivos: enquanto os olhos dos agentes registraram 80,5% dos incidentes críticos, as câmeras capturaram apenas 66%. Há uma lacuna de quase 15% de informações vitais que o sensor eletrônico, fixo e limitado, simplesmente ignora. Eventos cruciais, como o momento exato em que um suspeito recupera uma arma, foram registrados pela visão humana em ...

PSICOPATAS E CRIME ORGANIZADO

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  Uma matéria de   Camila Zarur, Paula Martini, Jessica Alexandra e Rafael Rosas, que saiu no Valor Econômico , on-line, de 22/12/2025, com o título “Presídios são berço e motor de facções criminosas no Brasil”, demonstra a astúcia do crime organizado e o atraso do Estado em combatê-lo eficazmente. A reportagem demonstra, em suma, que as facções criminosos brasileiras têm os presídios como seu nascedouro e grande motor mantenedor. E vai além: ao criar presídios de “segurança máxima”, o governo federal, longe de conter o avanço alarmante do crime organizado, ajudou a difundi-lo: “Um dos fatores para a expansão do crime organizado foi a transferência de presos de uma unidade carcerária a outra. Em vez de isolar os criminosos, esse traslado permitiu que eles ampliassem suas redes de contato e influência. Nesse sentido, a construção dos presídios federais, em 2006, também favoreceu esse avanço”. No meu modesto entender, no entanto, o principal foco da reportagem está neste parágra...

MEU LIVRO SOBRE PSICOPATAS

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  Acabo de publicar, pela Editora Benedictus , o livro “Psicopatas: Quem são? Como agem? Que fazer com eles? – 50 perguntas e 50 respostas decisivas para proteger a sua vida e a de quem você ama”. A obra está dividida em duas grandes partes, além da Introdução (pp. 17-21), Conclusão (pp. 83-87) e Apêndices (pp. 97-111). A parte I (pp. 23-60) intitula-se Questões médicas, preventivas e legislativas e traz estes tópicos: A) Definições e características do psicopata (pp. 23-37). B) Crianças e adolescentes: Transtorno de Conduta ou psicopatia? (pp. 37-44). C) Psicopatas entre nós: perigo iminente. Cuidado! (pp. 44-56). D) O status jurídico do psicopata: impasses e sugestões (pp. 56-63). E) Psicopatas que se dizem vítimas, crime organizado e ocorrências de ataque ativo (pp. 63-71). A parte II, bem mais breve, apresenta Questões teológicas católicas (pp. 73-82). O Apêndice, elaborado em coautoria com o amigo Dr. Vitor Roberto Pugliesi Marques, médico neurologista e escritor, entra em ...

LEI ANTITERRORISMO E LEGÍTIMA DEFESA

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  Discute-se, no Brasil, a equiparação – ou não – das facções criminosas a grupos terroristas. Ora, o terrorismo afeta a dignidade humana em sua essência. Por isso, também a Igreja Católica tem uma palavra sobre o tema. Pesquisa feita pelo Ibespe, entre os dias 3 a 10 de novembro último, ouvindo 1010 pessoas com 16 anos ou mais, mostra que 72,8% dos brasileiros concordam que as facções criminosas devem ser igualadas a grupos terroristas (cf. Maioria apoia equiparar facções a grupos terroristas, diz pesquisa. Poder 360 , 12/11/2025, on-line ). Daí ser útil conhecer (ou relembrar) o que a Igreja ensina sobre terrorismo e legítima defesa. Diz o  Compêndio da Doutrina Social da Igreja : “O terrorismo é uma das formas mais brutais de violência [...]: semeia ódio, morte, desejo de vingança e de represália. [...] transformou-se em uma rede obscura de cumplicidades políticas, utiliza também meios técnicos sofisticados, vale-se frequentemente de enormes recursos financeiros e elabora e...

ENTREVISTA COM O CABO PM ÍCARO (2ª CIA 34 BPMI)

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  Segue uma breve conversa que tive com o atuante Cabo PM Ícaro. Ele, atualmente, serve na 2ª Companhia do 34 Batalhão de Polícia Militar do Interior e, aqui, fala um pouco da sua paixão pela Polícia Militar do Estado de São Paulo. Muito obrigado pelo papo.   ***               Para início de conversa, como e quando surgiu o desejo de ser policial militar?               Surgiu no final da adolescência, com a ânsia de fazer a diferença na sociedade e auxiliar o meu bairro e a minha cidade a se tornarem lugares melhores. Vislumbrei na Polícia Militar uma forma de alcançar os pontos que considerava mais sensíveis, sendo a questão da sensação de insegurança em alguns locais um dos principais; por entender que, na PM, eu poderia ajudar quem mais estivesse precisando.   Sendo ainda jovem, como é refletir, nos seus momentos consigo mesmo, sobre a...

PROCURADO É PRESO EM AMPARO

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  Na manhã desta terça-feira, dia 7, policiais militares do 34º Batalhão de Polícia Militar do Interior tomaram ciência de um mandado de prisão e iniciaram patrulhamento com o objetivo de localizar o indivíduo procurado.  Durante as diligências, o suspeito foi visualizado na Rua França. Os policiais realizaram a abordagem e, após busca pessoal, nada de ilícito foi encontrado. A identidade do indivíduo foi confirmada, e ele foi cientificado do mandado de prisão existente contra ele.  Diante dos fatos, ele foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil, onde permaneceu preso, à disposição da Justiça. (Dados e fotos: Comunicação Social do 34 BPMI).

FORMAÇÃO NA FORÇA TÁTICA E ROCAM DO 38 BPMI

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  Nos dias 30/09 e 1º/10 último, estive em São Carlos ministrando uma Formação sobre “Transtornos psíquicos e Psicopatia” aos policiais militares que integram a Força Tática e a Rocam do 38 BPMI. Penso que tratar deste tema é muito importante. Afinal, são os PMs aqueles que primeiro se defrontam com pessoas em surto psicótico paranoico ou psicopatas nas ruas das nossas cidades. E precisam, na maioria das vezes, agir rápido. De que modo tento, então, ajudá-los nisso? Procuro, não obstante as nuances complexas do tema, distinguir o que são transtornos psíquicos graves (sinônimo de doença mental, em uma concepção didática de abordagem) daquilo que é a psicopatia (sinônimo do mau caráter dos “predadores sociais”). Sem descer a tantos pormenores, neste pequeno artigo, devo lembrar que a possibilidade de alguém com transtorno psíquico grave cometer crimes é baixíssima. Menos de 1% (cf. Mente que mata. Superinteressante , 31/10/2016, on-line ). Via de regra, fora um surto psicótico parano...