MORTICÍNIO EM ESCOLA CANADENSE
No dia 10/02 último, Jesse Van Rootselaar – ex-aluna da Tumbler Ridge Secondary School, colégio de Ensino Médio da cidade de Tumbler Ridge, no Canadá, de 160 alunos –, invadiu a referida escola, com uma arma de fogo, assassinou pessoas e, em seguida, suicidou-se. Comentemos a chocante ocorrência.
Antes do mais, convém afirmar que tal ato é definido, hoje, pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) como ataque ativo. Refere-se a um indivíduo [ou mais, às vezes] ativamente envolvido em matar ou tentar matar, no menor espaço de tempo, pessoas em uma área confinada e povoada. Na maioria dos casos, o atacante ativo usa armas de fogo, mas pode se valer também de facas, explosivos, veículos etc. e tem, via de regra, uma ligação com o local a atacar. Tal é o caso de Jesse.
Temos afirmado, à luz de pareceres de vários estudiosos, que três tipos de pessoas podem ser autoras desses ataques: 1) O psicopata. A Dra. Hilda Morana afirma que “a psicopatia é a forma mais grave de transtorno da personalidade; são os casos em que acabam por cometerem crimes violentos. [...] O psicopata é cruel, tem uma crueldade fortuita, apenas porque é da sua natureza ser insensível aos outros” (Sobre Psicopatia. São Paulo: Sparta, 2024, pp. 19-20). Lembremo-nos de que a psicopatia não é doença. É defeito de caráter. O psicopata não rompe com a realidade (quadro psicótico); logo, não delira, nem alucina. É consciente de todos os seus atos, mas possui uma maldade ímpar. 2) Outro tipo de autor desses ataques (embora em menor número) é o sujeito em surto psicótico paranoico, um dos mais graves quadros psiquiátricos. Caracteriza-se ele pela ruptura com a realidade e a construção de um mundo paralelo repleto de delírios de perseguição. Tudo parece ameaçá-lo. Se alunos de determinada escola dão estridentes gargalhadas, ele imagina que debocham dele. Pode, então, embora – repita-se – muito raramente, munir-se de uma arma branca ou de fogo e atacar aqueles alunos. 3) O terceiro tipo – mais raro ainda que o segundo – insere-se na chamada, em francês, folie à deux, loucura a dois, em português. Requer, como o próprio termo exprime, a existência de ao menos duas pessoas (mas podem ser mais) com estreitas relações entre si e vivendo em um ambiente, via de regra, alheio à influência de terceiros. Isoladas de quase tudo ou de todos, uma alimenta os delírios da outra. Para isso, tem de haver um psicótico (indutor ou dominante) e um doente mental ou alguém facilmente manipulável por déficit intelectual, passividade exacerbada, baixa autoestima, que é o dominado ou induzido. Eles podem, juntos, à moda de vingadores, cometer um ataque a pessoas que imaginam ser ameaça à sociedade ou a si mesmos. Como se vê, ao contrário do 1, os casos 2 e 3 requerem um quadro psicótico.
Dito tudo isto, voltemo-nos, agora, aos alunos e demais funcionários da escola, cujo procedimento – ante o autor de um ataque ativo – é: Evitar o encontro com o autor do ataque, fugindo para um lado contrário ao dele. Aqui importa, é claro, conhecer bem o prédio em que você está. Esconder-se, se for preciso, onde e como puder. Formar uma grande barreira na porta do cômodo, apagar as luzes, ficar em silêncio. Defender-se, se for necessário, com os meios que tiver à disposição. Isso, além do efeito físico, desestabilizará a mente programada do agressor. Sim, caso fique parado, você poderá morrer, caso se defenda, terá uma chance de viver. Por fim, se possível, já fora de perigo, disque 190 (Polícia Militar) e passe o local exato da ocorrência e as características do atirador (cf. Psicopatas: Quem são? Como agem? Que fazer com eles? Rio Bonito: Benedictus, 2025, pp. 69-71).
Prezado(a) leitor(a), não ignore este fato e outros semelhantes. Ainda que eles pareçam distantes...
Vanderlei de Lima é autor do livro Psicopatas: Quem são? Como agem? Que fazer com eles? Ed. Benedictus; Valmor Saraiva Racorti é coronel da PMESP, escritor e atual comandante do CPCHOQ.

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