ENTREVISTA COM O TENENTE PM JOÃO FELIPE
Prezado(a) leitor(a), tive a oportunidade de conversar com o 1º Tenente PM João Felipe – atualmente atuando no Comando de Policiamento da Capital (CPC), da PMESP –, e competente conhecedor do Direito Militar, sobre a sua trajetória de vida até se tornar oficial da PMESP e professor. Segue o resultado da frutuosa conversa.
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Comente
um pouco sua trajetória até chegar à Academia do Barro Branco e o período em
que lá esteve como aluno oficial?
Como sou filho de
pai policial militar, desde a minha infância frequentei quartéis da Polícia
Militar, o que, indiretamente, influenciou na minha decisão de também seguir esta
profissão quando ainda frequentava o Ensino Médio.
Assim, após finalizar
o estudo regular, meus pais me proporcionaram a realização de curso
preparatório, quando, após quatro tentativas em anos consecutivos, consegui ser
aprovado e tornar-me Aluno Oficial do Curso de Formação de Oficiais em 2016
(neste período trabalhei em diversos lugares: como auxiliar de eventos,
corretor de imóveis e motoboy).
Quanto ao período
de formação, realizado em três longos anos, para mim foi muito bom, tenho
apenas ótimas lembranças, em que pese a dificuldade do curso e a alta pressão
física e psicológica, acredito eu que tive certa facilidade por ter ingressado
ainda jovem (entre os 20 e 23 anos) e não possuir qualquer outra obrigação
pessoal/familiar. De lá para cá, já se passaram 10 anos de serviço
policial-militar, no qual tenho a honra de trabalhar e servir ao povo paulista.
É
notório e também muito louvável seu interesse pelo Direito, sobretudo Militar.
Daí a questão: De onde lhe veio esta paixão?
Logo após a minha
formação pela Academia do Barro Branco, em Ciências Policiais de Segurança e
Ordem Pública, finalizei o curso de Bacharelado em Direito, pela Universidade
Cruzeiro do Sul, com eliminação de matérias (assim como a maioria dos Oficiais
da PMESP).
Neste momento,
despertei uma grande vocação pelos estudos do Direito, sobretudo pela sua
aplicabilidade prática na atuação policial, quando iniciei uma pós-graduação em
sequência à outra, bem como cursos de especialização profissional da PMESP na área
jurídica. A partir de então, comecei a ministrar aulas de Direito nos cursos de
formação da PMESP (Soldado, Sargento e Oficiais) e também em cursos
preparatórios para carreiras policiais.
Dentro
do campo do Direito que falávamos, há um destaque para as orientações dadas aos
seus irmãos de farda e até GCMs sobre decisões judiciais recentes que merecem
atenção. De que modo isso tudo impacta positivamente na vida do PM?
Precisamos
entender – de uma vez por todas – que o estudo do Direito não se limita à
leitura literal da legislação (esta como fonte primária do Direito), mas também
da doutrina e, ao meu ver, principalmente da jurisprudência (fontes
secundárias).
A atuação policial
precisa estar sempre em compasso com o que o Poder Judiciário (sobretudo as
Cortes Superiores) entende de determinada norma, uma vez que se houver
divergência entre a prática policial e o entendimento judicial, todo o trabalho
bem realizado “na ponta da linha” foi em vão.
A título de
exemplo, caso um policial ingresse em uma residência em que esteja ocorrendo um
flagrante de um crime e prenda o seu autor, a partir de uma notícia anônima,
sem qualquer outra diligência prévia a fim de demonstrar que realmente o crime
ocorria, o criminoso será absolvido e ficará impune (mesmo tendo praticado uma
conduta criminosa), uma vez que o juiz entenderá que a prova foi colhida
ilicitamente pelo agente policial, pois “notícia anônima” não configura fundada
razão para o ingresso em domicílio (HC nº 141.157-AgR/PE, Rel. Min. Rosa Weber,
Primeira Turma, j. 29/11/2019, p. 11/12/2019 e HC 108.147, Relª. Minª. Cármen
Lúcia, Segunda Turma).
Há
um Curso de sua autoria para PMs, visando concursos. Correto? Como funciona e
de que modo se tem acesso a ele?
Sim, sou professor
do Curso “MFA Formação Avançada”, na qual já gravei 03 (três) cursos distintos
aos policiais, sendo estes: 02 (dois) voltados para a progressão na carreira
especificamente na Polícia Militar do Estado de São Paulo (Curso preparatório
de conhecimentos profissionais para o concurso de Cabo PMESP e de Sargento
PMESP).
E o terceiro curso
é de “extensão jurídica” voltado para qualquer agente policial,
independentemente da instituição que pertença, sobretudo que realize o
policiamento ostensivo, sendo “O Direito Aplicado à Atividade Policial”, no
qual reuni 20 temas de maior complexidade jurídica na atuação policial e
expliquei detalhadamente os institutos aplicáveis. Para que o policial tenha
acesso aos cursos, basta acessar os perfis no Instagram tanto da MFA
(@mfacursos) quanto o meu pessoal (@joaofelipegoffi).
Por fim, gostaria
de agradecer ao mestre, professor Vanderlei de Lima, pela distinta oportunidade
de poder expor um pouco da minha trajetória pessoal e profissional. Ademais,
parabenizo-o por sua atuação diária na busca de melhorias profissionais aos
agentes policiais. Que Deus o abençoe.
(Entrevista feita por Vanderlei de Lima)
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