ENTREVISTA COM O CABO PM ÍCARO (2ª CIA 34 BPMI)
Segue
uma breve conversa que tive com o atuante Cabo PM Ícaro. Ele, atualmente, serve na 2ª
Companhia do 34 Batalhão de Polícia Militar do Interior e, aqui, fala um pouco
da sua paixão pela Polícia Militar do Estado de São Paulo. Muito obrigado pelo
papo.
***
Para
início de conversa, como e quando surgiu o desejo de ser policial militar?
Surgiu
no final da adolescência, com a ânsia de fazer a diferença na sociedade e
auxiliar o meu bairro e a minha cidade a se tornarem lugares melhores.
Vislumbrei na Polícia Militar uma forma de alcançar os pontos que considerava
mais sensíveis, sendo a questão da sensação de insegurança em alguns locais um
dos principais; por entender que, na PM, eu poderia ajudar quem mais estivesse
precisando.
Sendo ainda jovem,
como é refletir, nos seus momentos consigo mesmo, sobre a importância de ser PM
hoje. Vale a pena? Por quê?
Na minha
concepção, vale a pena, visto que entendo que a minha atuação faz a diferença
na vida de diversas pessoas, seja no combate ao tráfico de drogas e a outros
ilícitos, como roubos e furtos, no aconselhamento de cidadãos em ocorrências
diversas ou até mesmo no simples patrulhamento para elevar a sensação de
segurança. Sinto que minha atuação realmente impacta positivamente na vida da
população.
Já houve
certamente algumas ocorrências que o impactaram positiva e negativamente.
Poderia narrar um exemplo de cada?
Poderia citar
diversas ocorrências em ambos os sentidos, porém, a que mais se destaca no
âmbito positivo foi o desengasgamento de um bebê de cerca de um mês, quando eu ainda
trabalhava no município de Jundiaí. Sinto que, naquele momento, já havia
cumprido minha missão de vida. Não foi a única situação envolvendo salvamento,
visto que também participei de uma ocorrência de incêndio em um edifício
residencial, onde retiramos diversos moradores com dificuldade de mobilidade de
seus apartamentos, além de ter prestado atendimento pré-hospitalar a um cidadão
itatibense que havia sido vítima de tentativa de homicídio por arma de fogo.
No âmbito
negativo, destacaria o atendimento de uma ocorrência de suicídio por arma de
fogo de um colega de farda.
Penso que o bom
policial (seja oficial ou praça), assim como o médico, o advogado, a dona de
casa etc., nunca deixa de sê-lo. Torna-se como que uma “segunda natureza”. Como
é viver essa paixão/tensão 24 horas praticamente?
Esta
é uma pergunta interessante. A vida policial acaba fazendo com que se abdique
de muitos momentos de lazer ou de frequentar certos locais, visto que um
policial não pode baixar a guarda, principalmente se desejar ser atuante.
Alguns momentos de lazer se tornam, na verdade, momentos de total atenção ao
ambiente, o que impede de aproveitar esse ambiente de lazer. Porém, na minha
concepção, vale o preço a ser pago.
O maior prêmio é chegar em casa e ter o
sacrifício reconhecido pela sua família.
Uma breve mensagem
aos leitores, por favor.
Gostaria de deixar
uma mensagem aos leitores militares e outra aos civis. Aos militares:
relembrem o motivo que os fez desejar envergar a farda cinza bandeirante.
Lembrem-se de que o muro entre a ordem e a desordem são vocês, especialmente
nos menores municípios, onde, às vezes, apenas dois policiais são responsáveis
pela segurança de todos os munícipes. Não se esqueçam de que a segurança dessas
pessoas está diretamente relacionada à sua atuação.
Aos leitores civis: peço que
compreendam que, muitas vezes, a nossa vocação exige muito de nós e, em certos
momentos, pode nos tornar mais frios, e isto não por falta de sentimento, mas
por autodefesa. Entendam que também somos pessoas humanas e que a nossa atuação
depende, em grande parte, do apoio e da colaboração de vocês.
Vanderlei de Lima, editor do Blog Manchetes Policiais 190.

Que entrevista inspiradora! É notável ver a paixão e o senso de dever refletidos em cada resposta. Profissionais como o Cabo Ícaro demonstram que, por trás da farda, há pessoas comprometidas com o bem, com coragem e humanidade. Um exemplo que merece reconhecimento!
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